O sucesso de um projeto de construção civil depende de uma série de fatores sendo a produtividade um deles. A construção em escala permite que os projetos sejam desenvolvidos com agilidade e eficiência, mas para isso o setor precisa investir em soluções inovadoras.
Nos últimos anos, a produtividade no setor cresceu apenas 1%, é o que revela uma pesquisa da McKinsey Brasil. Nesse sentido, a adoção de boas práticas é fundamental para que o setor consiga melhorar a atividade em todas as frentes, desde a administração até o canteiro de obras. Neste artigo, vamos mostrar quais são as soluções que podem ser adotadas para dar mais produtividade às construtoras. Acompanhe!
Quais são os desafios enfrentados pelo setor para ter construção em escala?
Dados da McKinsey Brasil, apresentados durante o Construdigital 2019, mostram que a construção civil está entre os setores que apresentam os menores índices de produtividade. E os últimos anos para o setor no Brasil têm sido ainda mais preocupantes. Entre 1995 e 2011 a taxa de produtividade no setor caiu 1,21. A queda representa um total de $ 15,7 bilhões perdidos com a baixa produtividade, deixando o país atrás de países como Zâmbia e Argentina e com um dos menores índices.
O estudo da McKinsey Brasil, baseado em uma avaliação com 100 megaprojetos no país, também mostra que 80% desses projetos tiveram aumento no custo e atrasos de quase 20 meses no prazo de entrega da obra.
Apesar do cenário desafiador, Thiago Vasconcelos, parceiro associado da McKinsey Brasil, afirmou, durante o Construdigital, que o setor tem potencial para melhorar e chegar a uma construcao em escala, sem deixar de lado a qualidade. Porém, é preciso investir em tecnologia e soluções inovadoras, como o uso de dados, por exemplo.
Tecnologia é a alavanca promissora para o aumento da produtividade na construção civil
De acordo com levantamento apresentado pela McKinsey Brasil, alguns fatores são fundamentais para a construção em escala, pois causam impacto considerável na produtividade – o uso da tecnologia é fundamental em cada um deles e a regulação é um facilitador de todo processo.
Veja quais são esses fatores e a porcentagem de impacto:
- Colaboração e contratação: influência de 8 a 9%
- Design e engenharia: influência de 8 a 10%
- Suprimentos e gestão de cadeia de fornecedores: influência de 7 a 8%
- Execução no site: influência de 6 a 10%
- Tecnologia: influência 14 a 15%
- Capacitação: influência de 5 a 7%
Somando todos esses fatores, é possível aumentar a produtividade em torno de 48% a 60%. A tecnologia, além de ser o fator de maior influência, é a solução que pode ser aplicada em todos os processos.
E as soluções tecnológicas já vem sendo adotada em diferentes etapas da construção civil. Segundo a McKinsey, um dos recursos que mais tem recebido investimentos desse setor é a área de dados. A construção civil já é, inclusive, o setor que mais investe em advanced analytics. O alto investimento se deve ao fato de que o setor está entre os mais ricos da economia e também por ser um dos que mais demorou para começar a buscar por inovações – o momento é de correr atrás do “tempo perdido”.
Como o advanced analytics tem sido usado na construção civil
Advanced analytics é o monitoramento preditivo de dados que auxiliam na tomada de decisão das empresas. Na construção civil, os dados podem ser utilizados de diferentes formas, e uma delas é na aplicação de melhorias para proporcionar maior produtividade e chegar a construcao em escala.
Veja a seguir, alguns exemplos de usos que podem ser aplicados:
- Pré-construção: melhoria do processo de licitação com o objetivo de aumentar a rentabilidade dos projetos;
- Construção e comissionamento: melhorar os critérios de formação de equipe, a fim de aumentar a produtividade;
- Operação de ativos: otimizar o planejamento e a execução da manutenção, para reduzir custos.
De acordo com o levantamento realizado pela McKinsey, as empresas que investiram em Advanced analytics conseguiram identificar uma melhoria considerável em relação à produtividade.
Para a consultoria, se a produtividade da construção civil conseguisse atingir o mesmo nível da economia total, o setor poderia ganhar US$ 1,6 trilhão em valor agregado. Entretanto, não é possível comparar os mercados de diferentes países. O Brasil, por exemplo, está muito atrás dos Estados Unidos no uso de ferramentas como o BIM.
O investimento em inovação deve ser o primeiro passo a ser dado por empresas que querem melhorar seus processos e aumentar sua produtividade. A partir disso, é possível automatizar os processos, reduzir a repetição de tarefas, minimizar custos e, consequentemente, melhorar a produtividade. Saiba como a tecnologia pode tornar sua obra mais produtiva e eficiente.
Confira o vídeo da participação do Thiago da McKinsey na Construdigital