Case internacional: a tecnologia construtiva da Katerra
A Katerra é o grande destaque do setor quando o assunto é Construtech. Sua tecnologia construtiva fez com que a startup conseguisse arrecadar o maior investimento da história das Construtechs do mundo todo, um aporte de 865 milhões de dólares!
Mas o que essa construtech está fazendo de tão extraordinário para atrair a atenção de grandes investidores e empresas da construção civil? A resposta para essa pergunta foi dada pelo próprio fundador da startup, Michael Marks, durante sua palestra no Construdigital, o maior evento de inovação e tecnologia do setor. Conheça melhor a tecnologia construtiva da Katerra e como a empresa está revolucionando o setor.
O que é a Katerra?
A Katerra é uma construtech, que foi criada em 2015 por Michael Marks, ex-CEO da Tesla, em parceria com Jim Davidson e Fritz Wolff – o único com experiência no mercado da construção civil.
A startup surgiu com o objetivo de resolver duas das maiores dores do setor: custos com mão de obra e o tempo de entrega do empreendimento. Em qualquer construção, esses dois fatores serão responsáveis pelos maiores custos, quanto mais tempo uma obra demora para ser entregue, mais custos gera.
A Katerra já está mudando esse cenário nos Estados Unidos, Ásia e Arábia Saudita – países em que atua no momento – trabalhando na montagem de seções de construção dentro e fora de suas fábricas. A empresa conta com instalações, onde desenvolve peças modulares. Com as peças pré-montadas, a Katerra consegue construir estruturas que podem ser vendidas individualmente ou em conjunto.
“Nós trazemos muita tecnologia para a construção. Temos nossas próprias fábricas para fazer os componentes. Fazemos submontagens lá, as levamos a um local, por meio de caminhões e transportadores e damos vida aos edifícios. Nós fazemos tudo”, explicou Marks.
A madeira laminada está entre os principais recursos utilizados pela empresa na construção de suas seções. Esse material substitui facilmente o concreto e o aço, além de ser uma alternativa mais sustentável e econômica para a construção.
Os principais clientes da Katerra são incorporadores imobiliários residenciais e comerciais. Essas empresas procuram a construtech quando precisam finalizar um edifício com uma agilidade que nenhuma outra empresa do setor conseguiria realizar.
Tecnologia construtiva: parece mágica, mas é tecnologia e inovação
“Não é mágica. É tecnologia. Somos pessoas do Vale do Silício trazendo automação para o desenvolvimento e outros aspectos da indústria da construção, por vezes antiquado”, disse Marks durante sua palestra.
A Katerra utiliza tecnologia e inovação para construir obras no menor tempo e com o menor custo. A construtech controla todo o processo construtivo da obra, do projeto até a entrega. Isso é possível porque a construção não acontece no canteiro de obras, mas sim dentro das fábricas da Katerra, como em um processo industrial.
Dentro das fábricas, o empreendimento é pré-montado, construído em módulos que, depois de prontos, serão levados até o local em que devem ser levantados, e uma equipe faz a montagem. Nesse processo, o próprio dono da obra consegue montar a sua casa. A ideia é que o cliente faça uma compra no site, como se estivesse comprando móveis e montando o ambiente de sua casa. Ele seleciona um cômodo ou mais, define metragem, portas e janelas e faz o pedido.
Em poucos dias recebe uma caixa com a estrutura. Os kits pré-moldados, contam com paredes e portas, que são fabricadas e instaladas pelos robôs, e até instalações elétricas. Além das informações de montagem e de quantas pessoas serão necessárias para montar a estrutura. Dessa forma, o próprio cliente consegue fazer a montagem em poucas horas ou dias.
O mercado corporativo também pode contar com as soluções da Katerra, adquirindo kits que podem ser montados e desmontados de acordo com as necessidades da empresa. O cliente compra um kit de salas corporativas, monta o espaço que precisa e, depois de um tempo, quando não for mais necessário usar a sala, pode desmontá-la. As empresas poderão expandir ou reduzir seus escritórios de acordo com a sua necessidade.
No momento, o foco da empresa é a construção residencial, por isso vem atuando, principalmente nos Estados Unidos, onde as casas são feitas e madeira. No Brasil, o cenário muda, pois a maior parte das casas são feitas em alvenaria, o que acaba tornando todo processo mais difícil e custoso. Entretanto, Marks afirmou que já estão analisando as possibilidades de entrar no mercado brasileiro.
Isso poderia estimular a economia e promover mais desenvolvimento para o setor, proporcionando, inclusive, maiores possibilidades de construções populares. Entretanto, seria necessário desenvolver novos modelos de trabalho para realocar os profissionais que seriam substituídos nesse cenário.
De qualquer forma, o que a Katerra vem fazendo é revolucionário, não é mesmo? Você consegue imaginar o Brasil adotando uma construção industrializada? Veja então como construtoras nacionais já estão aplicando as instalações industrializadas e entenda melhor este processos na prática.
Assista ao vídeo (em inglês) do Michael Marks – CEO da Katerra.